Por que o curtailment​ afeta a geração de energia? Entenda aqui

Você já ouviu falar sobre curtailment? Descubra o que é esse fenômeno no setor elétrico, as suas causas e seus principais impactos no Mercado Livre de Energia.

Por que o curtailment​ afeta a geração de energia? Entenda aqui
Auren Energia
Publicado por: Auren Energia
5 min. de leitura

O que é o curtailment e como ele afeta a geração de energia? Entenda aqui

O termo curtailment parece difícil, mas seu significado é simples. No mundo da energia elétrica, a palavra em inglês pode ser traduzida como a redução ou limitação na geração de uma usina, mesmo tendo capacidade técnica de produzir.

Isso quer dizer que esse processo não ocorre por falhas de equipamentos ou indisponibilidade da fonte, mas por decisão operacional relacionada ao equilíbrio do Sistema Interligado Nacional (SIN). O curtailment acontece quando, por motivos técnicos ou de demanda, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) determina que a geração precisa ser limitada para garantir a estabilidade da rede elétrica.

Por que o curtailment ganhou relevância no Brasil?

Nos últimos anos, o Brasil vem ampliando de forma significativa as fontes renováveis em sua matriz elétrica, com o acréscimo da geração eólica e solar. O avanço é importante, pois, além de ser uma agenda global, traz benefícios como diversificação das fontes, redução de emissões e competitividade no Mercado Livre de Energia.

Porém, por dependerem da natureza e estarem vulneráveis às intempéries, essas fontes não são regulares: às vezes chove, às vezes fica nublado, às vezes venta, às vezes há calmaria. Como é impossível controlar a natureza, o curtailment acontece em momentos de alta produção renovável, mas baixa demanda ou restrições de transmissão.

Quais as principais causas do curtailment no Brasil?

Vários fatores podem levar à necessidade de limitar a geração. O mais comum são as limitações na rede de transmissão. Em algumas regiões do país, a infraestrutura de transmissão ainda não acompanha o ritmo de expansão dos parques de geração. E, quando isso acontece, parte da produção precisa ser reduzida.

Outro fator bastante comum é a baixa demanda momentânea. Em determinados horários do dia ou períodos específicos, o consumo de energia elétrica pode estar abaixo da capacidade de geração disponível. Por exemplo: uma súbita frente fria que diminui o uso de ar-condicionado numa época de verão. Nessas situações, a redução evita a sobrecarga e garante o equilíbrio entre oferta e demanda.

O terceiro fator é uma demanda do ONS, responsável por coordenar a operação do SIN. Para assegurar a confiabilidade e a estabilidade da rede, ele pode instruir usinas a reduzir temporariamente sua produção.

Razões mais comuns para ocorrência de curtailment

Razão de confiabilidade do sistema:

Ocorre quando o limite da capacidade de transporte de energia nas linhas de transmissão é atingido.

Estimativa de ocorrência: Aproximadamente 50% dos cortes

Razão energética:

Ocorre nos momentos em que não há demanda suficiente para absorver toda a geração disponível, afetando o equilíbrio entre a oferta e a demanda.

Estimativa de ocorrência: Aproximadamente 30% dos cortes

Razão de indisponibilidade externa:

Ocorre devido a uma falha em alguma instalação de transmissão externa ao complexo gerador, causada por eventos como incêndios, raios, tempestades ou falhas de manutenção.

Estimativa de ocorrência: Aproximadamente 20% dos cortes

*Período de referência: maio de 2024 a maio de 2025.
Fonte: Estudo interno da Auren Energia.

Eólica e solar: por que estão mais sujeitas ao curtailment?

As usinas eólicas e solares são particularmente expostas ao curtailment por dois motivos principais:

O primeiro, pela produção intermitente e concentrada em horários específicos: enquanto a geração das energias hidráulica e térmica pode ser ajustada de forma mais flexível, a geração por vento e luz solar depende diretamente das condições climáticas.

O segundo é a localização geográfica: muitos parques eólicos e solares estão instalados em regiões distantes dos grandes centros consumidores, o que aumenta a dependência de linhas de transmissão robustas para o escoamento da energia.

Assim, mesmo quando há forte incidência solar ou ventos favoráveis, parte da produção pode precisar ser limitada.

DESSEM: o modelo que também pode influenciar o curtailment

Além dos fatores físicos e operacionais, o curtailment também pode ser resultado das decisões de otimização do modelo DESSEM, utilizado pelo ONS para o despacho de curto prazo e pela CCEE na formação do preço horário.

O DESSEM é um modelo determinístico e avesso a risco, que busca minimizar o custo marginal de operação do sistema, respeitando restrições hidrelétricas, térmicas e de transmissão. Por essa razão, ele tende a priorizar fontes despacháveis e previsíveis, como hidrelétricas e térmicas, em detrimento das fontes intermitentes, cuja geração é mais incerta.

Na prática, isso significa que, mesmo quando há vento ou radiação solar disponíveis em tempo real, o modelo pode ter programado no dia anterior uma limitação na geração eólica e solar em determinadas regiões, a fim de preservar a segurança operativa do sistema. Nesse caso, o curtailment ocorre por decisão de otimização, e não apenas por restrições físicas da rede.

Impactos do curtailment no Mercado Livre de Energia

No contexto do Mercado Livre de Energia, o curtailment pode afetar diretamente o planejamento das empresas. Isso porque a previsibilidade e a disponibilidade da geração contratada são fatores essenciais na gestão de custos e riscos.

Isso reforça a importância de considerar o curtailment como variável no planejamento energético, avaliando cenários de disponibilidade e estratégias de mitigação. Para empresas consumidoras do Mercado Livre de Energia, é importante ter um parceiro que entende e acompanha os indicadores relacionados ao curtailment. A análise de dados de geração, consumo e operação do SIN ajuda a identificar:

  • Horários e regiões com maior incidência do fenômeno;
  • Riscos de impacto sobre contratos e previsões de geração;
  • Necessidade de ajustes na estratégia de compra de energia.

Além disso, compreender como o ONS realiza a operação integrada do sistema é essencial para interpretar os sinais de curto, médio e longo prazo.

Diante da complexidade do setor elétrico, contar com um parceiro especializado como a Auren faz toda a diferença. Empresas que têm experiência nas dinâmicas do SIN, monitoram constantemente indicadores e oferecem suporte estratégico permitem que clientes do Mercado Livre de Energia reduzam riscos.

Mais do que contratar energia, trata-se de adotar uma postura proativa, capaz de antecipar tendências operacionais e garantir maior segurança nas decisões.

Quer saber como a Auren pode transformar energia em um ativo estratégico para sua empresa? Fale com a gente.

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