Lei 15.269: O que muda e como se preparar para a abertura total do mercado de energia
Veja os impactos da Lei 15.269 e 15.235 no setor elétrico. Fique por dentro do calendário de abertura total do Mercado Livre e novos encargos para 2026.
Com o pico previsto para o fim de 2026, entenda os efeitos do El Niño no Brasil, a previsão para os reservatórios e o impacto no preço da energia.
Publicado por: Auren Energia
Depois de um ano sob influência da La Niña, o Brasil entra em um novo ciclo climático. Os modelos convergem para um El Niño de intensidade relevante, com pico previsto para o fim de 2026 e implicações diretas para a geração hidrelétrica, o consumo de energia e a formação de preços no Mercado Livre.
Os efeitos do El Niño no Brasil foram tema da última edição da Live Auren Tendências, e as análises e dados que embasam esse artigo foram apresentados por Bruno Noronha, gerente executivo de Planejamento Energético da Auren.
O El Niño é um fenômeno climático causado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, região conhecida como Niño 3.4, próxima à costa da América do Sul. Quando a temperatura do oceano nessa faixa fica consistentemente acima da média histórica, isso altera a circulação de ventos e a distribuição de umidade, mudando os padrões de chuva em boa parte do planeta.
No Brasil, os efeitos mais documentados são: temperaturas acima da média no Centro-Sul e Nordeste, menor precipitação nessas regiões (especialmente no Sudeste) e chuvas mais intensas no Sul.
O aquecimento começa abaixo da superfície do oceano. As águas subsuperficiais se aquecem primeiro e, com o tempo, emergem para a superfície. Quando essa anomalia atinge o nível em que os modelos climáticos convertem para El Niño, convencionalmente em torno de 0,5°C acima da média por pelo menos três meses consecutivos, o fenômeno está confirmado.
Segundo os dados apresentados por Bruno Noronha na live, o Pacífico já atingiu o patamar de El Niño em maio. Todos os modelos dinâmicos acompanhados pela equipe de Planejamento Energético da Auren convergem para a continuidade do aquecimento ao longo do segundo semestre, com pico no final do ano.
Um ponto que gera confusão: quando se fala em El Niño forte, não significa que as temperaturas serão necessariamente mais extremas do que em eventos anteriores. O que aumenta é a probabilidade de os efeitos típicos se concretizarem.
"Não quer dizer que vai ter uma temperatura ainda mais alta e uma seca ainda mais proeminente. É que a probabilidade desse evento acontecer é cada vez mais alta"
explicou Noronha
A matriz elétrica brasileira é predominantemente hidráulica. Isso significa que a disponibilidade de água nos reservatórios das hidrelétricas está diretamente ligada à segurança do abastecimento e aos preços de energia — e a água, por sua vez, depende das chuvas. No Centro-Sul, a maior parte das chuvas que recarregam os reservatórios cai entre outubro e março. O período seco se estende de maio a setembro.
Com o El Niño, esse balanço se redistribui. O Sudeste (centro de carga do país) tende a ter menos chuva e mais calor. O Sul, por sua vez, recebe mais precipitação, o que afeta diretamente os reservatórios do subsistema.
O sistema chega ao período seco de 2026 em condição razoável. De acordo com os dados apurados pela equipe Auren, o armazenamento geral do SIN (Sistema Interligado Nacional) está em torno de 71%, nível considerado operacionalmente confortável. No entanto, o panorama hidrológico não foi favorável nesse início de ano.

Janeiro de 2026 foi o quarto pior mês de energia natural afluente em mais de nove décadas de histórico. O subsistema Sul, que sofreu especialmente durante os primeiros meses do ano, chegou a operar com reservatórios próximos a 30%. Chuvas de abril e maio já reverteram parte desse quadro: os reservatórios do Sul estão na casa dos 45%, em trajetória de alta.
"A recuperação do Sul vai trazer a possibilidade de salvar reservatório no Sudeste, que não foi possível durante o período de estiagem"
apontou Bruno Noronha
O Sul tem uma característica relevante: se recupera com rapidez quando as frentes frias começam a entrar de forma consistente — e o El Niño favorece exatamente esse padrão.
Um fator que ajuda a compensar a menor disponibilidade hídrica no Sudeste é o vento. A partir de junho e julho, o Nordeste entra na “safra de ventos”, período de pico da geração eólica. Bruno Noronha destacou na live que as obras de transmissão concluídas nos últimos anos ampliam a capacidade de escoar essa energia para o Sudeste, complementando a geração hidráulica durante o período seco.
Assistir à íntegra da Live Auren Tendências — 14/05/2026:
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As projeções de preço para o segundo semestre de 2026 mostram uma alta amplitude. Segundo o levantamento apresentado por Noronha, o PLD Spot pode oscilar entre R$ 75/MWh e R$ 590/MWh, dependendo de como a hidrologia e a carga se comportarem. Essa dispersão não é imprecisão dos modelos. É o reflexo de um sistema que se tornou estruturalmente mais sensível a variações climáticas e regulatórias.
"A volatilidade deixa de ser um evento pontual e passa a ser um componente relevante da dinâmica de preços"
destacou o especialista durante a live

O cenário combina movimentos que puxam os preços em direções distintas. Os efeitos do El Niño no Brasil:
– Do lado da baixa: a recuperação dos reservatórios do Sul e a geração eólica do Nordeste funcionam como amortecedores.
– Do lado da alta: o El Niño deve elevar as temperaturas no Centro-Sul a partir de agosto, aumentando o consumo, especialmente residencial e comercial. Menos água no Sudeste, mais carga. O equilíbrio entre esses vetores vai definir o patamar de preços nos próximos meses.
Há ainda um terceiro elemento em monitoramento: a entrada ou não do LRCAP no modelo de formação de preços. Dependendo do timing dessa decisão regulatória, há potencial de impacto de baixa nos preços de 2026.
Três variáveis concentram a atenção do mercado nos próximos meses:
Hidrologia do Sul. A trajetória de recuperação dos reservatórios do subsistema Sul é o principal termômetro de pressão sobre o sistema. Quanto mais rápida a recuperação, mais energia disponível para compensar a menor afluência no Sudeste.
Comportamento da carga. O crescimento do consumo no segundo semestre vai depender da intensidade do calor e dos efeitos do El Niño no Brasil, que aumentam a probabilidade de temperaturas acima da média. Para quem tem exposição ao mercado spot, esse é um dos dados mais relevantes a monitorar.
Agenda regulatória. As decisões sobre os parâmetros do modelo de formação de preço (incluindo a entrada do LRCAP) ainda estão em aberto e têm potencial de alterar a curva de preços de curto e longo prazo.
Os efeitos do El Niño no Brasl já estão se desenhando como realidade. O fenômeno vem sendo monitorado pela equipe de Planejamento Energético da Auren, com atualização contínua de modelos e projeções, parte do trabalho que Noronha e o time apresentaram nas edições da Live Auren Tendências. O que o cenário atual reforça é que gestão de energia sem acompanhamento dos sinais climáticos e de mercado tem custo.
Para gestoras e consumidores no Mercado Livre, o segundo semestre de 2026 exige atenção à estratégia de contratação, ao perfil de exposição ao spot e ao monitoramento das variáveis hidrológicas. A amplitude de cenários é grande. Quem tiver as informações certas e os parceiros certos vai navegar melhor.
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